Em meados de 2016, uma colega de trabalho da matriarca da família relatou que havia resgatado da rua uma cadelinha shih tzu que servia como matriz. Ela estava perdida, prenha e bastante assustada. Sensibilizada com a situação, decidiu acolhê-la e cuidar dela até que os filhotes nascessem em segurança.
No dia 28 de setembro daquele ano, nasceram três filhotinhos. Entre eles estava o pequeno machinho que, pouco tempo depois, passaria a fazer parte da nossa família.
Naquele novembro, após o desmame, o filhotinho chegou ao nosso lar com o nome Sushi. Porém, logo percebemos que sua expressão era sempre muito séria e determinada, quase como a de um pequeno comandante observando tudo ao redor. Decidimos então que um nome mais forte combinaria melhor com ele. Assim, Sushi passou a se chamar Napoleão, e começou ali a sua história conosco.
Apesar do nome imponente, Napoleão era um cachorro extremamente afável, tranquilo e carinhoso. Gostava da companhia das pessoas e encontrava alegria nas pequenas coisas do dia a dia. Adorava brincar com seus ursinhos de pelúcia e se acomodar ao nosso lado, fosse na cama ou no sofá, sempre procurando um cantinho confortável para descansar.
Nos dias mais quentes, tinha o hábito de deitar com a barriguinha encostada no chão gelado, onde ficava cochilando tranquilamente. Era um verdadeiro bon-vivant: dormir e comer estavam entre seus passatempos preferidos.
Dono de um carisma especial, Napoleão também era muito querido por todos que o conheciam. Nas poucas vezes em que se animava para passear pelas ruas, conquistava rapidamente a simpatia de quem cruzava seu caminho — animais e humanos. Tinha, no entanto, uma preferência evidente pelas crianças, que sempre recebiam sua atenção e seus lambeijos.
Napoleão cresceu ao lado de sua priminha Atena, uma lhasa apso apenas três meses mais velha. Os dois formavam um contraste curioso e muito bonito: Atena, cheia de energia e personalidade; Napoleão, dono de uma calma admirável e de uma paciência quase infinita. Juntos, dividiram muitos momentos e se tornaram companheiros inseparáveis.
Ao longo dos anos, também dividiram o carinho de seus tutores: Rosenei, a vovó; Agnaldo, o vovô; Janaina, a titia; e Iara, a mamãe.
Com o tempo, Napoleão ganhou muitos apelidos carinhosos dentro de casa. Era chamado de Popo, Popozito, Popoti ou simplesmente Napo. Embora não gostasse muito de colo, adorava receber carinho na barriga e ficar deitado perto das pessoas que amava.
Todas as noites escolhia dormir aos pés de sua titia Janaina, demonstrando claramente o vínculo especial que tinha com ela. Entre os dois havia uma conexão muito forte, e foi com ela que Napoleão criou um dos laços mais profundos de sua vida.
Em 2020, em meio ao período desafiador da pandemia, a família ganhou um novo integrante: Bartolomeu. O pequeno logo passou a fazer parte da rotina da casa, e Napoleão assumiu naturalmente uma postura quase protetora, brincando com ele e acompanhando seu crescimento pelos três anos seguintes. Junto com Atena, formaram um trio que trouxe companhia, alegria e conforto em um período tão difícil para todos.
Com o passar do tempo, a vida seguiu seus caminhos. Napoleão perdeu sua vovó em 2022, tornando-se o fiel escudeiro de sua mãe e de sua tia. Em 2024, Napoleão passou a viver apenas com sua titia Janaina e sua prima Atena, tornando-se ainda mais presente na rotina das duas e fortalecendo ainda mais o vínculo que já existia entre eles.
Infelizmente, a vida reservou uma despedida muito dolorosa para nossa família. Poucos dias após o falecimento de sua titia Janaina, em 23 de fevereiro de 2026, Napoleão também partiu, em decorrência de um tumor muito agressivo.
Nas semanas em que esteve sob os cuidados de seu vovô e da titia Karen, foi muito amado e cuidado. Continuou a dormir na cama, ganhou muitos bichinhos de pelúcia, fez vários passeios e comeu muita comida gostosa.
Acreditamos que, de alguma forma, ele foi reencontrar sua tutora favorita. Depois de tantos anos dormindo aos seus pés e fazendo companhia a ela todos os dias, talvez apenas tenha seguido o caminho para continuar ao seu lado.
Hoje imaginamos os dois juntos novamente, em paz, como sempre foram: companheiros inseparáveis.
Napoleão deixou para trás uma história cheia de carinho, simplicidade e afeto. Seu jeito tranquilo, seu carisma e sua presença amorosa marcaram profundamente a vida de todos que tiveram a sorte de conviver com ele. Mais do que um animal de estimação, ele foi parte da família, companheiro fiel e fonte constante de alegria.
E, embora sua partida tenha deixado uma saudade imensa, as lembranças de todos os momentos vividos ao seu lado continuarão para sempre guardadas em nossos corações.
Napoleão, nosso querido Popo, seguirá sendo lembrado com amor eterno. ❤️