Há nove anos atrás, pela nonagésima oitava vez, eu havia decidido por não mais acolher animais de estimação.Então, alguém me avisou que encontrara um filhote de cachorro e eu me dispus a conhecê-lo. Apenas isso.
Vesti a capa da insensibilidade, empunhei a lança da convicção e parti para atender à insistência daquela pessoa que parecia não entender a minha decisão firme e definitiva.
Ao chegar encontrei um pequeno cão (mais ou menos 4 meses) de pelo opaco, magérrimo e assustado.
Aí aconteceu. Ele olhou para mim.
A lança caiu e a capa se abriu para recebê-lo e acomodá-lo no colo.
Voltamos juntos para casa e a nossa história começou.
Chico (assim o chamei) tornou-se companheiro, amigo, um grande anjo de quatro patas.
Vieram as traquinagens, roupas arrancadas do varal e estraçalhadas, sapatos devorados e alegrias, carinhos trocados na cumplicidade que só o amor incondicional permite.
Ele me deu tombos, arranhou meus braços, lambeu minhas mãos, meu rosto e me olhou com devoção. Passou temporadas na praia com toda a família.
Conhecido por todos como um cão feroz. Mal sabiam que era só mise en scène.
E, ontem, ele partiu.
Perdeu a luta contra um câncer avassalador.
E eu tenho a certeza de que, nesse momento, ele está recuperando o seu vigor e a sua alegria, livre das dores e do sofrimento.
Um dia, nós nos reencontramos.

Compartilhe essa homenagem

Perfeito, sua mensagem foi enviada com sucesso.

Nossa equipe já está trabalhando nisso. Em alguns minutos, um profissional qualificado entrará em contato com você através do WhatsApp.

Perfeito, sua mensagem foi enviada com sucesso.

Nossa equipe já está trabalhando nisso. Em breve, entraremos em contato com detalhes e informações adicionais.